No começo dos atendimentos psicológicos é comum que sejamos encantados pelo objetivo de garantir que o paciente não apenas esteja sendo ouvido, mas que ele goste do nosso trabalho.

É nesse caminho que nos apegamos às técnicas, abraçamos teorias e nos colocamos como ferramentas entre os processos psicológicos do paciente e a sua iniciativa de obter cuidado.

Em um fazer clínico que considere as especifidades culturais, o papel do reconhecimento destas identidades nas formulações de caso é o de não reproduzir a menor importância que tem sido dada às populações diversas: suas nacionalidades, idades, memórias, ditados, costumes, justiça e variáveis socioeconômicas.

Atendendo pessoas de todo o Brasil vê-se que é a aproximação intencional às formações culturais do cliente que faz com que a gente escute de outra maneira, compreenda de outra maneira e, não menos importante, fale de uma maneira gentil, respeitosa e implicada com as diferenças.

Segundo o estudo de Furini et al. (2023) podem ser citadas algumas intervenções focadas em uma prática clínica efetiva, a partir dos conceitos associados de:

Multiculturalidade (Hays, 2016);

Interseccionalidade (Kimberlé Crenshaw, 1989);

e Lugar de fala.

O que leva a perceber que, por não abordar indireta ou diretamente essas características nas sessões, torna-se possível que a relação entre terapeuta e cliente seja desconectada ao longo do tempo, especialmente no atendimento a grupos historicamente oprimidos.

Com isso, mesmo sendo complexo, é importante que seja favorecida a sensibilidade cultural e o reconhecimento de valores, tanto para o terapeuta quanto para os clientes 🌿🦜🛖🥁

#culturas #identidades #terapiascontextuais #saúdemental

post imagem